Aleitamento materno e alergia alimentar

Postado em: 21 de janeiro de 2014 às 09:57

O aleitamento materno, atualmente, salva a vida de seis milhões de crianças a cada ano, sendo essencial para garantir o crescimento, saúde e desenvolvimento do bebê, conferindo benefícios tanto a mãe quanto a criança a curto e longo prazo. Com base em evidências científicas, a Organização Mundial de Saúde recomenda a prática da amamentação exclusiva por seis meses e a manutenção do aleitamento materno acrescido de alimentos complementares até os dois anos de vida ou mais1.

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Estudos comprovam que crianças alimentadas com fórmulas artificiais têm maiores chances de apresentar diarréia, infecções respiratórias agudas, infecções no trato urinário, diabetes, doença celíaca, colite ulcerativa, doença de Crohn, leucemia infantil, desnutrição, obesidade, doenças cardiovasculares, menor desenvolvimento cognitivo e alergias2-8. Contudo, a alimentação inadequada muitas vezes se estende para a alimentação complementar, que introduzida de forma precoce traz diversas desvantagens, como: interferência na absorção de nutrientes (principalmente, ferro e zinco), aumento do risco de alergia alimentar, maior ocorrência de doenças crônico-degenerativas na idade adulta e aumento da morbimortalidade. Além disso, com a introdução dos alimentos complementares antes dos 6 meses de idade, a criança passa a ingerir uma menor quantidade de leite humano, diminuindo a produção de leite pela mãe, a duração do aleitamento e a eficácia da lactação como meio contraceptivo e interferindo no comportamento alimentar do bebê. Mesmo em crianças não-amamentadas, a recomendação habitual para a introdução dos alimentos sólidos é apenas após os 4 meses de vida9.

O LEITE DE VACA é frequentemente utilizado em substituição ao leite materno. Logo, as suas proteínas são os primeiros antígenos alimentares com os quais o bebê tem contato, o que o torna o PRINCIPAL ALIMENTO envolvido na gênese da ALERGIA ALIMENTAR nesta idade. A prevalência estimada de alergia às proteínas do leite de vaca (APLV) é de 2 a 3% em crianças menores de três anos10.
muSintomas da APLV comumente aparecem após dias ou semanas de uso da alimentação com fórmulas baseadas no leite de vaca. É possível a ocorrência de sintomas imediatos ao primeiro consumo, apesar de menos frequente. Os sintomas mais comuns manifestam-se no trato gastrointestinal, trato respiratório e pele. As manifestações clínicas incluem urticária, prurido, vômito, diarreia, náusea, dor abdominal, angioedema, broncoespasmo e constipação, podendo resultar até em choque anafilático11.

Segundo o Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar (2007)12, o diagnóstico se dá por uma combinação de testes, uma vez que as manifestações podem ser inespecíficas. O teste mais recomendado é o desencadeamento oral. A ele podendo ser associado à investigação da história clínica, pesquisa de anticorpos e biopsia intestinal.

O tratamento dietético de escolha da APLV é a exclusão do leite de vaca e derivados da dieta. Para os bebês que estão em aleitamento materno exclusivo, recomenda-se a manutenção da amamentação, com a dieta de restrição dos alimentos suspeitos para a mãe nutriz. Em geral, deve ser feita a exclusão de leite de vaca, podendo ser necessária a exclusão de outros alimentos como ovo, soja e amendoim. Para bebês em uso de fórmulas artificiais, recomenda-se o uso de fórmulas hipoalergênicas: extensamente hidrolizadas ou a base de aminoácidos13.

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By Maryane Magalhães CRN 9939

Nutrição Gestacional e Pediátrica

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REFERÊNCIAS

1. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Infant and young child feeding: Model Chapter for textbooks for medical students and allied health professionals. 2009.

2. SILFVERDAL, S.; BODIN, L.; OLCÉN, P. Protective effect of breastfeeding: An ecological study of Haemophilus influenzae meningitis and breastfeeding in a Swedish population. International Journal of Epidemiology, v.28, p.152–6, 1999.

3. MARILD, S. et al. Protective effect of breastfeeding against urinary tract infection. Acta Pediatrica, v. 93, p. 164–168, 2004.

4. GDALEVICH, M.; MIMOUNI, D.; MIMOUNI, M.; Breastfeeding and the risk of bronchial asthma in childhood: a systematic review with meta-analysis of prospective studies. Journal of Pediatrics, v. 139, p. 261–6, 2001.

5. ODDY, W. H. et al. The relation of breastfeeding and Body Mass Index to asthma and atopy in children: a prospective cohort study to age 6 years. American Journal of Public Health, v. 94, p.1531–7, 2004.

6. SADAUSKAITE-KUEHNE, V. et al. Longer breastfeeding is an independent predictive factor against development of type 1 diabetes in childhood. Diabetes/Metabolism Research and Reviews, v. 20, p.150–7, 2004.

7. AKOBENG, A. K. et al. Effect of breastfeeding on risk of coeliac disease: a systematic review and meta-analysis of observational studies. Archives of Diseases in Childhood, v. 91, p. 39–43, 2006.

8. KLEMENT, E. et al. Breastfeeding and risk of inflammatory bowel disease: a systematic review with meta-analysis. American Journal of Clinical Nutrition, v. 80, p. 1342–52, 2004.

9. VIEIRA, G. O. et al. Hábitos alimentares de crianças menores de 1 ano amamentadas e não-amamentadas. Jornal de Pediatria, v. 80, p. 411-6, 2004.

10. SUH, J. et al. Natural Course of Cow’s Milk Allergy. The Korean Academy of Medical Sciences, v. 26, p. 1152-8, 2011.

11. CORTEZ, A. P. B. et al. Conhecimento de pediatras e nutricionistas sobre o tratamento da alergia ao leite de vaca no lactente. Revista Paulista de Pediatria, v. 25,p. 106-13, 2007.

12. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ALERGIA E IMUNOPATOLOGIA (SBAI). Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar, 2008. Disponível em: < http://www.crn2.org.br/pdf/artigos/artigos1285071282.pdf>. Acesso em: 19 jan. 2013.

13. CASTRO, A. P. B. M. Evolução clínica e laboratorial de crianças com alergia a leite de vaca e ingestão de bebida à base de soja. Revista Paulista de Pediatria, v.23, p. 27-34, 2005.

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